"Não escreva sob o império da emoção.
Deixe-a morrer, e a evoque logo. Se for
capaz então de revivê-la assim como era,
a arte chegou na metade do caminho."


Horacio Quiroga


Horacio Quiroga nasceu em Salto, no rio Uruguai, e teve diversos episódios trágicos em sua vida, envolvendo pessoas queridas. Seu pai, cônsul argentino, morreu acidentalmente com um tiro quando Quiroga era ainda criança. Seu padrastro se matou em 1902. Em 1914, Quiroga matou, acidentalmente, um amigo enquanto mexiam em uma arma. Sua primeira esposa e pupila, Ana Maria Cires se envenenou e morreu após uma semana de sofrimentos. Os dois filhos desse primeiro casamento se mataram quando adolescentes.
Uma vida de morte e sofrimento que fica clara dentro de sua obra, com a obsessão com a morte, a convicção de que o homem não pode escapar de seu destino e a ênfase no bizarro e monstruoso.

Alguns críticos ainda teimam em dissociar obra de autor, como se fosse possível separar corações e mentes, ainda que embasados em muitas argumentações, ainda prefiro que o meu humilde “achismo” considere tal hipótese impossível. Naquele que escreve, que consegue colocar no papel a dimensão do sentimento humano, há sempre uma angústia, um diferencial que o faz ter o dom de escolher as palavras certas, na medida exata do que querem dizer. Para isso, não raras vezes, faz-se necessário trazer à tona as memórias mais remotas, reabrir feridas cicatrizadas e outras que nunca fecharão. Ser escritor é isso: transmutar emoção em palavras.


Alcoólatra e com problemas mentais, Quiroga cometeu suicídio em 19 de fevereiro de 1937 com uma grande dose de cianureto, enquanto ainda estava na clínica de recuperação.


Leia: http://www.librairie.hpg.ig.com.br/Horacio-Quiroga%20-Decalogo-do-perfeito-contista.htm

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