Ezra Pound
"Num barraco precário,
Sem glória e sem salário,
O estilista acha abrigo
Contra o mundo inimigo.
A natureza o oculta.
Na amante calma e inculta
Exerce seus talentos.
E o solo acolhe os seus lamentos.
O abrigo dos requintes e contendas
Vaza por entre o zinco.
Ele faz comida suculenta.
A porta não tem trinco."

Ezra Pound






Irônico, sarcástico, mordaz. Ezra Pound. O poeta que marcou uma geração tinha muitas definições. Segundo críticos, Pound foi o responsável pelo modernismo nas letras, assim como Picasso foi para a pintura e Stravinski para a música. Loucura? Pode ser, mas é sem dúvida a vida desse poeta que poderíamos chamar de loucura...literalmente.

Ezra Pound nasceu em Hailey no estado de Idaho em 30 de outubro de 1885. Após concluir seus estudos lecionou por um curto período. Convencido que a poesia era a maior razão de ser em sua vida, Pound abandonou o meio universitário e viajou para a Europa em 1908. Segue, então a confirmação do talento poético de Pound.

Até aí, tudo vai indo muito bem para o ele, mas uma escolha errada marcaria sua vida para sempre. O escritor que nunca havia abraçado uma ideologia política, descobriu Mussolini e aderiu ao fascismo de corpo e alma. Em paralelo a sua obra poética, começou a escrever uma série de artigos, onde textos raivosos.

Essas atividades fizeram com que o escritor fosse levado para o cárcere de Pisa no dia 24 de maio de 1945. Depois de passar trinta dias na "jaula", Pound perdeu a memória e sucumbiu. Foi transferido para o hospital da prisão onde após uma pequena melhora concentrou todas suas energias na criação dos 10 "Cantos Pisanos". Meses mais tarde foi transferido para os Estados Unidos, onde seria julgado por alta traição. Submetido a uma junta de psiquiatras o escritor foi considerado insano, escapando do julgamento e da pena capital. Isso não o livrou de ser internado no pavilhão para loucos criminosos do Hospital St. Elizabeth em Washington. Ezra Pound só alcançou a liberdade em 18 de abril de 1958 quando seu processo foi arquivado.

Alguns críticos ainda confundem vida e obra, equivocadas (reconhecida por ele mesmo) posições políticas com obra literária. Ainda que seja impossível esquecer ou perdoar o passado fascista de Pound, como não pensar em mais de 10 anos preso no pavilhão dos loucos? Um alto preço pago, dívida quitada e uma obra que transcende o tempo.


Leia: http://www.revista.agulha.nom.br/ag25pound.htm
http://www.revistaetcetera.com.br

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