Plínio Marcos


Plínio Marcos foi de tudo um pouco e maldito sempre. Personagem de si mesmo, retratou o submundo como ninguém. Falou de homossexualismo, marginalidade, prostituição e violência. Escrevia no osso, como se diz na gíria. Não livrou a cara de ninguém, nem de si mesmo. Era uma personalidade forte e difícil, não abria mão de suas idéias, do que realmente queria dizer. Pagou o preço.

Nasceu em Santos (SP) a 29 de setembro de 1935. Depois de tentar tornar-se jogador de futebol e de trabalhar como palhaço de circo por cinco anos, escreveu, aos 22 anos, sua primeira peça, "Barrela", a qual chegou às mãos de Patrícia Galvão (Pagú), que ficou entusiasmada ao lê-la.
Pelas mãos dela, integra uma companhia de teatro. O bichinho do palco entra no sangue para nunca mais sair.
Época difícil, os milicos na rua, censura a tudo e a todos e Plínio caindo de pára-quedas no meio desse momento histórico. Lógico que seria censurado. A coisa foi tão violenta que nessa época pensou em desistir de tudo.

Na década de 80, censura liberada, Plínio retoma seu lugar ao sol. Plínio novamente surpreendeu. Escreveu as peças "Jesus Homem" e "Madame Blavatsky" nas quais mostra um seu lado mais espiritualista. Em 1985, ganhou os prêmios Molière e Mambembe pela peça "Madame Blavatsky".

Entre suas melhores obras estão: "Barrela" (1958), "Dois Perdidos Numa Noite Suja" (1966), "Navalha na Carne" (1967), "Quando as Máquinas Param" (1972), "Madame Blavatsky" (1985).

Plínio era um homem de histórias, de causos, um grande prosador.
"Certa vez ele disse ao presidente Sarney que ambos eram imortais: Sarney por ser membro da ABL e ele por não ter onde cair morto".
Pois é, mas no dia 19 de novembro, esse herói da sobrevivência não resistiu e morreu em São Paulo (SP) a 19 de novembro de 1999 deixando-nos uma maldita lacuna.


Leia: http://www.estado.estadao.com.br/edicao/pano/99/11/19/ger891.html

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