"Eu vivi metade da minha vida em Paris, não a metade que me fez, mas a metade na qual eu fiz o que fiz"
Gertrude Stein: 1874-1946


Paris era uma festa. Pablo Picasso, Matisse, Braque, Derain, Juan Gris, Apollinaire, Francis Picábia, Ezra Pound, Joyce, Hemingway e claro, Gertrude eram algumas das cabeças pensantes que freqüentavam a Paris do século passado.
Hemingway era apenas um aspirante a escritor que lia tudo que ela escrevia, Gertrude pendurava um quadro de Matisse em sua parede. Seria a primeira fazê-lo reconhecendo o gênio, assim como Juan Gris e Picasso. Em torno dela transitavam pintores, músicos, escritores. Gênios, grandes egos, discussões acirradas, opiniões fortes e rompimentos.
Gertrude era um gênio e sabia disso, falava de sua genialidade com a natural consciência de saber-se especial, o que a tornava irritante, o que causou grandes brigas por não tolerar que se destacassem mais do ela. Era do tipo que se amava ou odiava, não havia meio termo e acredito que ela mesma não gostaria de nada que não tivesse uma definição, ainda que para pior.





Gertrude Stein nasceu em Allegheny, Pensilvânia, em 3 de fevereiro de 1874. Viveu em Paris e teve obra fecunda. Foi mentora da arte moderna.
As características experimentais da obra de Gertrude Stein, no entanto, impediu que se tornasse popular até a publicação de The Autobiography of Alice B. Toklas (1933), apresentada como biografia da mulher com quem ela viveu durante quarenta anos, mas que era, na verdade, a sua própria história. Stein tornou-se uma lenda em Paris, em especial depois de ter sobrevivido à ocupação alemã na França e de haver protegido soldados americanos que a visitavam. Sobre essa experiência escreveu a crônica Wars I Have Seen (1945; As guerras que vi) e a novela Brewsie and Willie (1946; Brewsie e Willie).

Não foi a vanguarda e originalidade de sua obra que dariam a ela a fama que alcançou, mas seu romance com Alice B. Estamos falando dos anos 30, de uma mulher que apresentava sua companheira como esposa, que não escondia de ninguém a relação e os papéis de cada uma nela.
Stein quem assumia o papel de marido no casal, "escrevendo e discutindo arte com os homens", enquanto Alice cozinhava e tratava da casa e "se sentava a conversar sobre chapéus e roupas com as mulheres dos artistas que vinham de visita".

Nada que tire o mérito de ambas por razões diferentes e como companheiras.
Durante a Primeira Grande Guerra, tanto ela como Alice fizeram questão de ficar em Paris. Compraram um Ford em muito mau estado, a que chamaram "Auntie" e usaram-no para ajudar a Cruz Vermelha e transportar feridos para a província. Durante a Segunda Grande Guerra trabalharam para a Resistência, conseguindo que os ocupantes nazis nunca descobrissem que eram judias.
Gertrude era uma personalidade, verdadeira, irônica que se manteve assim até o fim.
Morreu a 27 de Julho de 1946 e foi enterrada no cemitério Père Lachaise, em Paris. Dias antes, na cama do hospital onde estava internada, perguntara a Alice: "Qual é a resposta?" E, uma vez que a companheira não lhe respondeu, insistiu. " Então, qual é a pergunta?!". O seu humor e o seu gênio permaneceram intactos até ao fim.


E Alice?


Alice não queria acreditar "como é possível que tanta perfeição, tanta alegria, tanta beleza que estavam aqui comigo, tenham desaparecido". Como elo que a prendia à vida, dedicou-se então, a publicação da obra de Gertrude.
Aos 76 anos publicou um livro de receitas onde falava dos pratos favoritos de Gertrude. Morreu em 1967, pediu par ser enterrada no mesmo túmulo que Gertrude, mas quis que seu nome fosse escrito na parte de trás da lápide, em segundo plano, como sempre se colocou em relação a Gertrude. "Alice pensa em tudo e é perfeita para mim". "Para Gertrude, seus poemas são tudo. Neles, ela viaja pelo mundo para voltar para casa. Me sinto feliz em ser apenas sua companheira".



Leia: http://storm-magazine.com/arquivo/Artigos_Fev_Mar/Artes/a_mar2002_1a.htm
http://www.utrine.hpg.ig.com.br/html/gertrude.htm

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