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Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.


Mario de Sá-Carneiro - Lisboa, Fevereiro de 1914.





Filho único, infância solitária e conturbada, a perda da mãe aos 2 anos de idade e um pai ausente fizeram a poesia de Mario de Sá-Carneiro oscilar entre a excentricidade e a busca da perfeição.
Teve por único amigo Fernando Pessoa com quem trocou várias cartas. Pessoa tentou compreender o amigo o quanto pôde, mas foi em vão. Nada foi capaz de impedir o ritmo acelerado que levou Sá-Carneiro ao suícidio no dia 26 de abril de 1916.


"Personalidade dissociada, corroída pela neurose, agitando-se numa acuidade sensorial levada ao paroxismo, Sá-Carneiro encarna como ninguém as frustrações e os pesadelos de sua terra, dividida entre a nostalgia da glória, do luxo, do cristal e ouro do passado, e a atração pela modernidade, pelas luzes da renovação européia. Tudo nele é angústia pessoal e filtração de angústias coletivas. Nesse sentido, quando mais narcisista se debruça sobre si mesmo, dilacerando entre o fascínio a repugnância, mais ainda - e sem que jamais o saiba - traduz o fatos de Portugal."



Epígrafe


A sala do castelo é deserta e espelhada.


Tenho medo de Mim. Quem sou? De onde cheguei?...
Aqui, tudo já foi... Em sombra estilizada,
A cor morreu --- e até o ar é uma ruína...
Vem de Outro tempo a luz que me ilumina ---
Um som opaco me dilui em Rei...

Mário de Sá-Carneiro





Publicou os seguintes livros: Amizade, peça em três atos (com Tomás Cabreira Junior), 1912; Dispersão, 12 poemas, 1914; A Confissão de Lúcio, narrativa, 1914; Céu em Fogo, novelas, 1915. Deixou inéditos Indícios de Ouro, poemas; e o primeiro capítulo de um novela intitulada Mundo Interior. Mário de Sá-Carneiro deixou a Fernando Pessoa a indicação de publicar sua obra, onde, quando e como lhe parecesse melhor. E assim fez seu amigo.




"Sá-Carneiro não teve biografia: teve só génio. O que disse foi o que viveu."

Fernando Pessoa






Leia: http://orbita.starmedia.com/mariodesa/biografia.htm

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