Há um túnel no fim da luz.


Chove mais dentro de casa do que fora. A tinta escorre em bolhas pelas paredes e a escuridão naquela parte da casa é total.
O mau-humor assalta a mim e a geladeira. Vinheta na TV e um novo capítulo da guerra é exibido. Sentada no sofá assisto à guerra com hora marcada. Dá para marcar compromissos para antes ou depois de um ataque ou no dentista dizer: Droga! Perdi o ataque das 13:00! Agora só às 20:00. Suspira-se resignado. É a guerra em tempo real.
Houve um tempo em que a guerra era sigilosa, o mundo estava em guerra e ponto.
Anos depois Holywood se encarregava de mostrar os mocinhos e os vilões da contenda. Até hoje a segunda guerra mundial rende filmes em todo mundo. Que filmes virão das guerras atuais? Já assistimos os filmes da vida real pela TV entre um comercial de sabão e outro. Encaramos as vítimas nos olhos, hoje elas têm um rosto, uma face, são “as novas diretrizes em tempo de guerra”. Elegeram um Presidente para o mundo e não participamos dessa eleição. Fazem propaganda de guerra e do terror para incitar a violência. Hoje a morte mantém o corpo intacto e corrói por dentro, quimicamente delacera e mata. É a morte silenciosa e lenta de humanos e da democracia. O mundo se revolta e apóia. A babel de interesses se instalou. Radicais contra e a favor.
Por aqui a guerra urbana mata tanto quanto as guerras do mundo, balas perdidas, sem rosto, sem destino encontram suas vítimas tão inocentes quanto as de lá, a diferença é que não dá ibope. Novo comercial, as mulheres estão apaixonadas, no jogo a decisão do campeonato, Vasco eterno vice (ou não), as sete mulheres entre Farrapos lutam por seus homens. A chuva não pára, a maldita tinta escorre, a escuridão continua e o mundo dentro dela também...
Há um túnel no fim da luz que nos levará a lugar nenhum.



andrea augusto©angelblue83

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