No dia 06 de janeiro de 1883, nascia Gibran Khalil Gibran. Não vou colocar aqui o batidíssimo: "Quando o amor acenar, siga-o..." nem outros do gênero, certamente todo mundo já leu, prefiro falar do filósofo, poeta, profeta e do reformador social que ele foi.

Gibran, nascido na sociedade oriental numa época muito semelhante à Europa da Idade Média, rebelou-se ao ver o povo oprimido e explorado pelo clero e a aristocracia. Como Voltaire e J. J. Rousseau, sua pena, inspirada no Evangelho, ressaltou virtudes nos humildes e arrastou as massas em revolução vitoriosa. Suas obras "João, o Louco", "Calil, o Herético", "As Asas Quebradas", por exemplo, refletem esse seu período.

Mais tarde, amadurecido e já morando em Boston, Gibran volta-se para a filosofia e fica mais preocupado em libertar o homem das suas fraquezas e limitações. Era um homem de múltiplos talentos, escrevia, pintava e fazia ilustrações. São dele todas as ilustrações de seus livros.


Austregésilo de Athayde assim se pronunciou sobre Gibran, referindo-se às obras que produziu nesta fase de sua vida: "O Oriente não teve poeta que exprimisse melhor a delicadeza mística de sua alma. Gibran é um destes mestres da Sabedoria que ensinam a arte de viver pela conquista da paz interior nutrida na contemplação da beleza. O seu convívio intelectual alimenta a fé na superioridade espiritual do homem, num estilo ao mesmo tempo cheio de vida e simplicidade, cuja fonte é a natureza em suas inspirações mais límpidas e amáveis."







A partir de 1918, Gibran passou a escrever apenas em inglês, sem com isso inspirar-se na civilização ocidental, muito mais voltada para a conquista do futuro e a subjugação da matéria.

O Ocidente o conhece principalmente como escritor e pintor; um poeta de visão espiritual e de sonho. O Oriente conhece o outro Gibran. Primeiramente, na sua juventude, o escritor revolucionário cujo ousado poema "As Almas Rebeldes", escrito em 1908, encolerizou a Igreja e agitou o Império dos Turcos, e, por cuja autoria foi excomungado e exilado. Outros livros revelam este seu caráter revolucionário: "As Ninfas do Vale", "Temporais" "Asas Partidas". Neles o autor manifestou sua revolta contra o assassínio do homem pelo homem, pela sujeição da mulher, pela opressão dos poderosos e por todas as formas de injustiças. Defendeu a violência para derrubá-las e se orgulhou de ser extremista e intolerante sob a alegação de que "quem é moderado na proclamação da verdade, proclama somente a meia verdade."


O que fez de Gibran eterno, não foi nenhuma genialidade na sua escrita ou mesmo na pintura, sua eternidade se deve ao fato de ter sido um homem comum, um pensador capaz de transmitir suas idéias de forma simples. Não foi um político ou um líder religioso. Ele era um homem espiritualizado com grande sensibilidade para servir-se de exemplos simples e dessa maneira deixar claro a qualquer tipo de leitor sua mensagem.

Deixou vários livros, pinturas e ilustrações que produziu até pouco antes de morrer, aos 48 anos de idade.



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"E quando não podeis mais viver na solidão de vosso coração, procurais viver nos vossos lábios, e encontrais então uma diversão e um passatempo nas vibrações emitidas.
Em grande parte de vossas conversações, o pensamento é meio assassinado.
Pois o pensamento é uma ave do espaço que, numa gaiola de palavras, pode abrir as asas, mas não pode voar.
Há entre vós aqueles que procuram os faladores por medo da solidão.
A quietude da solidão revela-lhes seu Eu-desnudo, e eles preferem escapar-lhe.
E há aqueles que falam e, sem o saber ou prever, traem uma verdade que eles próprios não compreendem.
E há aqueles que possuem a verdade dentro de si, mas não a expressam em palavras. No íntimo de tais pessoas o espírito habita num silêncio rítmico."


Gibran Khalil Gibran



andrea augusto©angelblue83 - biografia de sites e livros com inserções minhas.


Leia mais: http://www.consciesp.org.br/gibran.htm
http://www.edineynunes.hpg.ig.com.br/khalilgibran.htm






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