Embora 10 entre 11 pessoas já tenham lido o poema If, de Rudyard Kipling, vale o registro.
Ele foi ridicularizado na época por escritores e críticos pelos poemas e as historinhas que escrevia. Ainda hoje é lembrado justamente por uma historinha, talvez a mais famosa que garanto todo mundo já viu: "Mowgli, o menino lobo". Pois é, essa mesma.
Kipling nasceu em 1865 em Bombaim, cidade que seu pai lecionava como professor na Escola de Artes. Aos seis anos foi estudar na Inglaterra e em 1882 retorna á India, onde começa a trabalhar como jornalista. Também inicia a carreira de escritor, o que mais tarde, em 1936 lhe daria o Prêmio Nobel.
The jungle book ( Mowgli) foi traduzido para o português por Monteiro Lobato. O livro conta a história de Mowgli, menino criado por lobos e aluno do urso Baloo no estudo das leis da selva. Posteriormente viraria filme pelas mãos de Walt Disney.
Kipling faleceu em 18 de janeiro em Londres, Inglaterra.

Seu poema mais conhecido é:

IF...

Se tu podes impor a calma, quando aqueles
Que estão ao pé de ti a perdem, censurando
A tua teimosia nobre de a manter.

Se sabes guardar sem ruga e sem cansaço.
Privar com Reis continuando simples,
E na calúnia não recorres à infâmia
Para com arma igual e em fúria responder,
- Mas não aparentar bondade em demasia
Nem presumir de sábio ou pretender
Manifestar excesso de ousadia, -

Se o sinho, não fizer de ti um escravo
E a luz do pensamento não andar
Contigo no domínio do exagerado,

Se encaras o triunfo ou a derrota
Serenamente, firme, e reforçado
Na coragem que é necessário ter
Para ver a verdade atraiçoada,
Caluniada, espezinhada, e ainda
Os nossos ideais por terra. - Mas erguê-los
De novo em mais profundos alicerces
E proclamar com alma essa Verdade!,

Se perdes tudo quanto amealhaste
E voltas ao pricípio sem um ai,
Um lamento, uma lágrima, e sorrindo
Te debruças sobre o coração
Unindo outras reservas à Vontade
Que quer continuar, e prosseguindo
Chegar ao infinito da razão,

Se a multidão te ouvir entusiasmada
E a virtude ficar no seu lugar,

Se amigos e inimigos não conseguem
Ofender-te, e se quantos te procuram
Para estar com o teu esforço não contarem
Uns mais do que outros, - olha-os por igual!,

Se podes preencher esse minuto
Com sessenta segundos de existência
No caminho da vida percorrido
Embora essa existência seja dura
À força das tormentas que a consomem,

Bendita a tua essência, a tua origem
- O Mundo será te,
E tu serás um Homem!

Rudyard Kipling

Versão portuguesa de António Botto - in "Poesia Mais-que-pefeita", A Mar Arte, Coimbra, 1994


Leia mais: http://www.kipling.org.uk/
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