Bom, não sei se sou eu, ou é verdade que certo tipo de pessoa disperta um fascínio por mais doido que pareça. Esse é um que está na minha galeria de "malucos beleza" que adoro. Gosto dos surrealistas e de maneira especial, Dalí e Magritte.
Os surrealistas driblavam a racionalidade. Ver um quadro surrealista é como estar sonhando ou muito doido pela droga de sua preferência. Mas o melhor é o delírio sem drogas e essa é a essência do surreal, na minha humilde opinião, claro.

"Normalmente, nossos sonhos são sem pé nem cabeça e raramente têm começo, meio e fim. E não é por acaso que a maioria dos quadros surrealistas contém imagens sem sentido e de difícil interpretação: os pintores procuravam retratar o mundo dos sonhos. Eles tentavam produzir as obras sem interferência da razão. Com isso, acreditavam estar mais perto do inconsciente.

Enquanto estamos acordados, a consciência conduz nossos atos. Quando dormimos e sonhamos, "entra em ação" o inconsciente -- considerado o estado mais espontâneo do ser humano. Em 1900, o médico austríaco Sigmund Freud publicou o livro A Interpretação dos Sonhos, que diz que os sonhos seriam a realização de desejos inconscientes. Por mais que um esforço de memória seja feito para que esses impulsos venham à tona, eles só afloram nos sonhos, nos atos falhos e no estado psicótico, quando a consciência não está vigilante."

Quando acordamos dessa viagem ao impossível, nossos sensores reprimem nossos sonhos porque certamente iriam de encontro as normas vigentes da moral. O surrealismo se utilizou dessa matéria prima, bebeu dessa fonte e libertou a imaginação.
Mas deixa eu largar Freud e voltar a Dalí.






Aos 6 anos de idade, Salvador Dalí anunciou para a família que queria ser cozinheira (no feminino mesmo).
Dois anos antes de ingressar na escola de arte em Madri, nos anos 20, escreveu em seu diário: "Eu vou ser um gênio... Talvez venha a ser desprezado e mal compreendido, mas vou ser um gênio, um grande gênio". Conseguiu ou pelo menos se acreditou genial, tanto que foi expulso da Academia de S. Fernando, em Madri, por ter se recusado a fazer um exame. Ele declarou não haver um único professor suficientemente competente para avaliá-lo.

O nome de Salvador é o mesmo que tivera um seu irmão, que morrera prematuramente poucos anos antes. Esta circunstância determina, em parte, que os seus pais projetem sobre ele doses suplementares de afeto, que contribuíram para forjar a sua personalidade egocêntrica e extravagante; porém também se via a si mesmo como o fantasma do irmão falecido, familiarizando-se desde muito cedo com a idéia obcessiva da morte, um dos temas que o influenciará em toda a sua obra.

Dalí teve sua vida mudada ao conhecer, em 1929, sua primeira e única mulher: Gala, ou melhor, a russa Elena Dianaroff, dez anos mais velha do que ele e casada com o poeta Paul Éluard. Gala ensinou-o o gosto (que ele já tinha, adormecido) pela fama, pelo dinheiro e como tudo isso poderia vir mais fácil se acompanhado por escândalo e polêmica. Daí vieram as grandes performances de Dalí, as frases exóticas, os bigodes pontiagudos (ele dizia serem antenas magnéticas) e o rompimento com Breton e os surrealistas (também por causa de suas posições políticas conservadoras). Liberto das amarras ideológicas dos amigos, adotou, com fúria obsessiva, uma estética de virtuosismo quase acadêmico, embora a reunião de objetos incongruentes numa mesma tela ainda o ligasse aos surrealistas. Em suas obras, a figura de Gala está quase sempre presente.

Foi o ápice do genial pintor, em 1982, após a morte de Gala e um incêndio de onde sai gravemente ferido, Dalí se recolhe e passa a viver praticamente recluso até o dia de sua morte, 23 de janeiro de 1989. Encerrando aí seu mais longo delírio, a vida.


Leia: http://www.diversaocerta.com/paginas/artes2002/salvador_dali.html
http://www.pitoresco.com.br/pitoresco/dali/dali.htm

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