Tudo bem, todo ano é a mesma coisa e muda só um dia na folhinha, mas vamos lá...com vocês as famosasss simpatias!


Simpatias para o Ano Novo
Aproveite o dia 31 de dezembro para pedir um novo amor, dinheiro e energia positivas!


Para atrair ou manter um amor

Se você é casada, acenda duas velas amarelas, de preferência de mel. Se for solteria, acenda apensa uma. Peça a Oxum (deusa do amor, da fertilidade, da pureza e do ouro) tranqüilidade e estabilidade no relacionamento, ou que apareça alguém especial para você. Ao redor da vela, que deve estar acesa, derrame mel. Coloque 4 búzios, quadro moedas do mesmo valor e, por último, oito ou dezesseis rosas amarelas (esses são os números de Oxum). Fique na praia até a vela terminar de queimar.


Para que seu amor volte

Pegue oito fitas de cores diferentes (exceto preto e vermelho), com 1 metro cada. Olhe para o mar e coloque quatro fitas em cada ombro, deixando que escorreguem pelo seu corpo. Depois, com os pés na água, tire as pétalas de três rosas amarelas, jogue-as por cima da sua cabeça e deixe que caiam no mar. Em seguida, solte as fitas na água, uma por vez, pedindo a Oxum que traga de volta a pessoa que você ama.


Para ter sorte no amor

Pegue cinco ou oito rosas brancas (números de Iemanjá e Oxum), perfume de alfazema, fitas com as cores da harmonia (azul, amarelo, rosa, branco e verde), espelho, talco, sabonete e bijuterias. Forre uma cesta com celofane, amarre uma fita no cabo de uma flor e jogue um pouco de talco e de perfume por cima. Depois, coloque o espelho, o sabonete e as bijuterias na cesta e leve para o mar. Conte três ondas e, na quarta, ofereça a cesta a Iemanjá e a Oxum.


Para afastar maus fluidos

Na beira do mar, com a água na altura da canela, derrame pipoca em seu corpo, da cabeça ao pés. Deixe que o mar leve a pipoca, que é um elemento do orixá Omolu, senhor da vida, da cura e da saúde.


Para garantir paz, tranqüilidade e prosperidade

Misture pétalas de rosa branca, arroz cru e uma essência de sua preferência e passe pelo corpo. Olhando para o mar, reze pedindo paz e prosperidade para o ano que está chegando. A seguir, tire os sapatos e entre no mar vestida com uma roupa branca. Dê três mergulhos e saia da água de costas para a areia.


Para ter dinheiro durante o ano inteiro

Leve para a praia sete rosas brancas, sete moedas do mesmo valor, perfume de alfazema e um champanhe. Reze para Iemanjá e para todos os outros orixás que têm força no mar, conte sete ondas e jogue as flores no mar. Em seguida, coloque o conteúdo da champanhe e ofereça aos orixás. Lave as moedas com o perfume e coloque-as na mão direita. Mergulhe a mão na água e peça proteção financeira. Deixe o mar levar seis moedas e fique com uma, que você guardará como amuleto durante o ano inteiro.


Para ter felicidade

Usar um par de meias novas brancas durante três dias, a partir do dia 28. No quarto dia, colocar ao sol do meio-dia a meia do pé direito e, em seguida, atirá-la longe, tomando o cuidado para que ela não caía num local úmido. À meia noite do dia 31, colocar ao luar a meia do pé esquerdo e repetir o mesmo gesto, repetindo as seguintes palavras: "Minhas meias foram longe. Não têm teia, nem idade. Se se foram, porque se foram, virá a felicidade. Assim seja".





Pequenas dicas, grandes promessas!


1. No dia 31 de dezembro, tome um banho para descarregar as energias negativas. Ferva água e coloque folhinhas de arruda, alecrim, manjericão, malva-rosa, malva-branca, manjerona e vassourinha para o seu banho. Espere esfriar e jogue a água sobre sua cabeça.


2. Na noite da passagem, para o ano novo, use calcinha ou cueca novas para ter sorte no amor. Esta prática diz deixar para trás os mal-entendidos e garante o futuro para quem está começando o namoro.


3. Use branco para ajudar o novo ano à entrar com muita luz. Deixe a casa também bem iluminada com luzes e velas e aberta durante a festa do réveillon.


4. Para atrair dinheiro, use uma peça qualquer de roupa na cor amarela. Essa cor representa o poder do ouro. Para ter esperança no ano que se inicia, vista azul. Para ter sorte no amor, vermelho.


5. Para atrair riqueza, coloque uma nota de dinheiro dentro do sapato na noite da passagem do ano novo.


6.Para subir na vida, suba um degrau de uma escada ou em uma cadeira com o pé direito assim que der meia-noite.


7. Pule com o pé direito à meia-noite para atrair coisas boas para a vida. Dê três pulinhos com uma taça de champanhe na mão, sem deixar derramar nada. Depois, jogue toda champanhe para trás, de uma só vez , sem olhar para deixar para trás tudo de ruim.


8. Logo após às doze badaladas, coma doze uvas grandes ou romãs e guarde os caroços na carteira. Comer lentilha e milho logo após à meia-noite, também traz sorte.


9. Para ter um ano doce, coma um merengue ou suspiro, logo após à meia-noite.


10. Para ter um ano farto, coma uma salada com sete frutas diferentes.


11. Logo após a virada do ano beije alguém do sexo desejado para garantir um grande amor ou manter o que se tem.


12. Para ter amor no novo ano, no dia 31, ache um pessegueiro e colha algumas folhas. Guarde-as em papel de seda e coloque na agenda.


13. Para garantir que seu namoro não termine, no dia 31 à noite, pegue um fio de cabelo seu e um do seu namorado e guarde os dois em um saquinho branco durante todo o ano.


14. Para garantir dinheiro, coloque seis moedas embaixo do tapete da porta de entrada da sua casa. Durante o ano, verifique se elas continuam no mesmo lugar. Se estiver faltando uma, reponha. Jogar moedas para fora da casa quando der meia-noite, também atrai riqueza para seus moradores.


15. Faça barulho para afugentar os maus espíritos. Use apito, batucada, panelas, desde que seja exatamente à meia-noite.


16. Se você comemorar a passagem do ano na praia, entre no mar e pule sete ondas. Faça sete pedidos: um para cada onda.


17. Na primeira noite do ano, use lençóis novos para deixar para trás os problemas do ano que passou.





Com ou sem simpatias, acredito no ritual próprio ou seja, aquele que a pessoa elege como seu. Sendo a simpatia de "fabricação própria ou pré-fabricada" nada acontece sem fé. Portanto, muita fé e um Feliz Ano Novo para todos nós!!







Por não estarem distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."


Clarice Lispector



































Hoje são dois aniversários importantes, um de vida e outro de morte. Não gosto muito dessa expressão aniversário de morte, prefiro lembrança de vida e claro não dava para deixar a lembrança da Cássia passar impunimente, não para quem sempre marcou presença no mundo, e o outro aniversário não menos importante é o da Lu do blog, Racional Demais. Deveria ser sentimental demais, rss, ela é puro coração e alma e é demais mesmo!

É pra você Lu essa pequena lembrança, já me desculpando pelo nada que é perto da arte que você faz. Um grande beijo, um Feliz Aniversário e muitos, muitos anos de vida pela frente e ao nosso lado!














Cássia: paixão visceral

Uma trajetória fulminante que começou há exatos 20 anos. Aqui mesmo, em Brasília. Em 1981, Cássia participou de um espetáculo de Oswaldo Montenegro – Veja você Brasília. Logo depois, integrou o trio elétrico Massa Real. Depois, cantou forró. Em seguida entrou numa trip de se tornar corista de ópera. A timidez não venceu a estrela. "Perdi o medo que eu tinha de palco nessa época”, confessou a mim.

Em 1983, ela entrou para o grupo Malas & Bagagens e chegou a participar de um dos primeiros grandes festivais de rock da capital: o RockWay 2. Entre 1985 e 1988, já fora da banda, Cássia passou a cantar na noite. Fez a fama no circuito underground brasiliense com seu repertório calcado no blues e no rock, apresentando-se, quase semanalmente, no extinto Bom Demais. O bar era point dos estudantes universitários, além de boêmios e alternativos. Uma de suas melhores lembranças, vejam só, era a sopa. “Maravilhosa”, resumiu.

A garota tímida, descobrira sua vocação e já virava um “monstro” no palco. Com os amigos, era sapeca e cheia de molecagem. Em público, fora dos palcos, esquivava-se sempre que um repórter chegava perto. A paixão, no entanto, bateu mais forte. Música já era tudo para Cássia. Ainda em 1988, ela gravou sua primeira fita demo, registrando uma versão belíssima de "Ne Me Quitte Pas" – famosa na voz de Nina Simone – acompanhada do piano de Renato Vasconcellos. Outras três pérolas fazem parte desta primeira incursão de Cássia por um estúdio: "Labirinto", do brasiliense Márcio Faraco; um blues de Duke Ellington e "Já Deu Prá Saber", de Itamar Assumpção.

Talvez essa fita seja a melhor coisa que Cássia gravou. Mas nem ela, nem ninguém da própria família, a tinha mais. Perdeu-se no tempo.

A morte leva Cássia no auge. Justo agora, quando ela se preparava para uma nova etapa na carreira. Quando esteve em Brasília há sete dias, para passar o Natal com a família, anunciou a amigos que estava nos seus planos e nos da gravadora uma nova frente. O Brasil já era pouco. A gravadora Universal planejava lançar agora os dois últimos discos, "Acústico" e "Com você... meu mundo ficaria completo", no mercado internacional. Até mesmo uma apresentação no tradicional Festival de Montreaux estava sendo cogitada.

A música pop brasileira perdeu mais uma voz. A mais blueseira. E, certamente, a mais roqueira. Os velhos amantes da música estão de luto. Mas, quem sabe o que Renato e Cazuza prepararam como recepção para Cássia Rejane Eller lá em cima? Ao som dos Beatles, vão fazer uma festa celestial. Digna, visceral e cheia de luz.

Aqui, muita saudade.

Olímpio Cruz Neto

Brasília, 30 de dezembro de 2001.

http://www.abordo.com.br/rockbrasilia/reportagens/artigo_cassia.htm



Escute aqui:


Escute Get Back do album póstumo de Cassia Eller. Clique em "alta" e esperem carregar, vale a pena. Espero que vocês consigam escutar, é simplesmente visceral. Não sei quanto a vocês, mas eu chorei pela perda dessa voz. Era muita vida para tão pouco tempo entre nós.
Outras músicas aqui: http://mtv.msn.com.br/exclusivos/cassia.shtml


alta






Hoje no dia do aniversário de morte de Otto Lara Resende, vou deixar por aqui, não uma daquelas biografias assépticas, prefiro o Otto das frases que o marcaram, do texto espirituoso e alegre. Grande figura que detestava comemorar aniversários ( somos dois, também não gosto, rss).

O homem que certa noite recebeu o telefonema do grande amigo, Nelson Rodrigues, perguntando-lhe: “Otto, você é o maior talento verbal deste país. Por que não abre uma loja de frases, para que elas retribuam um pouco do que lhe devem?”. Aceita a sugestão, Nelson escreve que, certo dia, foi à “Loja das frases” e ficou surpreso com a quantidade de fregueses. Era o Otto faturando adoidado.

Precisa dizer mais?


Frases de Otto Lara Resende:


Positivamente, não posso ser apresentado a Satanás: como André Gide, sofro a tentação de entender as razões do adversário.

Tenho para mim que sei, como todos os brasileiros, os três primeiros minutos de qualquer assunto.

Quem me garante que Jesus Cristo não estaria hoje na estatística da mortalidade infantil?

Todo mundo que cruzou comigo, sem precisar parar, está incorporado ao meu destino.

Intelectual na política é quase sempre errado. É sempre errado. A práxis não deixa espaço para pensar; pensar é muito sutil, enrascado, complexo, multiplica as alternativas.

Sou jornalista, especialista em idéias gerais. Sei alguns minutos de muitos assuntos. E não sei nada.

Sou um sobrevivente sob os escombros de valores mortos.

Devemos a Graham Bell o fato de estarmos em qualquer lugar do mundo e alguém poder nos chatear pelo telefone.

Hoje eu reúno duas condições que em princípio se excluem: sou careca e grisalho. (Ao fazer 60 anos).

Sou leitor atento da página fúnebre. Tem mais gente conhecida nossa do que a coluna social.

A morte é, de tudo na vida, a única coisa absolutamente insubornável.


As frases acima foram extraídas do livro "Otto Lara Resende: a poeira da Glória", de Benício Medeiros, editora RelumeDumará - Rio de Janeiro, 1998, pág. 137.



"Uma criança vê o que um adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que de tão visto ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher. Isso exige às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos.

É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença".




Com pouco mais de 70 anos, morreu, dia 28 de dezembro de 1992, três dias antes do Ano Novo - e, portanto, há dez anos, que se completam justamente hoje. Entre o dia em que entrou no Hospital e o dia em que morreu, medearam apenas três semanas, surpreendendo todos os amigos.
Para a sua sepultura, Fernando Sabino chegou a sugerir o seguinte, rimado e curto epitáfio: “Aqui, jaz Otto Lara Resende./ Mineiro ilustre, mancebo guapo./ Deixou saudade, isto se entende./ Pudera! Passou 70 anos batendo papo”.
fonte: o globo


leia mais: http://www.releituras.com/olresende_bio.asp
http://www.aleph.com.br/kce/artigo13.htm












"Ele parece não ter noção de seu poder. Para mim que penetro no segredo de meu coração, fica claro que até hoje não escrevi uma só linha que ele não tenha inspirado. Não vejo nada, não ouço nada, sem imediatamente pensar: O que diria ele?
Abandono minha emoção e conheço apenas a sua. Parece-me mesmo que, se ele não estivesse aqui para me definir, minha própria personalidade se desfaria em contornos vagos; não me reúno nem me defino, senão em torno dele. Por qual ilusão pude acreditar até hoje que o formava a minha semelhança? Ao passo que, ao contrário, era eu quem me dobrava a sua, e não me apercebia! Ou melhor: por um estranho cruzamento de influências amorosas, nossos dois seres, reciprocamente, se deformavam.
Involuntariamente, inconscientemente, cada um de dois seres que se amam molda àquele ídolo que contempla no no coração do outro... "


Andre Gide - livro Moedeiros Falsos









Niver DELA AMANHÃ!





















Sou fã de Marlene Dietrich, ou melhor de filmes clássicos, antigos, da época de ouro do cinema. Naquele tempo as grandes divas como Greta Garbo, Marlene Dietrich, Bette Davis, Rita Hayworth, Olívia de Havilland, Audrey Hepburn e outras tantas, eram cultuadas pelo público. Os filmes, pela ausência dos (d)efeitos especiais eram obrigados a ter enredo, diálogos consistentes, interpretações magistrais, porque não havia nada para camuflar ou distrair o expectador da essência do filme. Isso sem falar no som, no cenário e figurino.

Maria Magdalena Von Lorsch nasceu em Berlim, a 27 de Dezembro de 1901, para mais tarde se tornar no «Anjo Azul» já com o nome de Marlene Dietrich. A mulher que disse «sou, Deus seja louvado, berlinense», viveu os últimos 12 anos de vida escondida em Paris porque não queria que vissem a sua beleza de anjo a desaparecer.

É justamente o filme «O Anjo Azul» de Sternberg que lança Marlene Dietrich para a fama, em 1930.
Marlene é Lola, uma estonteante cantora de um clube nocturno alemão que envolve um professor numa perigosa teia de amor e obsessão. Depois deste enorme sucesso, outros surgiram como «Marrocos» e «O Expresso de Xangai» pela mão do mesmo realizador que a transformou numa lenda viva.





Quando começa a Segunda Guerra Mundial, Marlene naturaliza-se norte-americana e, em Março de 1944, junta-se às tropas dos Estados Unidos e parte com elas para a frente de batalha onde canta «Lili Marlene». O trabalho de voluntariado nos hospitais valeu-lhe as condecorações dos governos norte-americano, francês e israelita. Em 1954, Marlene inicia uma carreira de sucesso no teatro e na música. Faz o seu último filme em 1978, «Just a Gigolo» de David Hemmings, e só voltou a aparecer no ecrã em 1984 num documentário biográfico. A mulher rouca e sensual que usava fatos de homem morre em Paris, a 6 de Maio de 1992.

Marlene foi mais do que apenas uma diva, ela era atípica para os padrões da época também. Não era como Garbo, a esfinge, que um dia no auge da carreira se isolou. Foi à luta contra Hitler. Vestiu-se de homem, beijou mulheres na boca e embaralhou os papéis sexuais, jogando com essa ambivalência para impor um tipo de mulher dominadora.
Bastava olhar para a câmera, tragar um cigarro e, envolta na fumaça, e não dizer nada e no indizível, Marlene dizia tudo.

Alguém desconfia de onde vem o nickname angelblue? rsss


leia mais: http://www.goethe.de/br/sap/kultur/pr_dietr.htm
http://www.falling-in-love-again.com/marlene-en.htm














Em 1987, no dia 27 de dezembro, Cacaso foi embora. Tinha apenas 43 anos e muita poesia na veia.


Cacaso (Antônio Carlos de Brito) nasceu em Uberaba (MG), no dia 13 de março de 1944. Com grande talento para o desenho, já aos 12 anos ganhou página inteira de jornal por causa de suas caricaturas de políticos. Antes dos 20 anos veio a poesia, através de letras de sambas que colocava em músicas de amigos como Elton Medeiros e Maurício Tapajós. Seu primeiro livro, "A palavra cerzida", foi lançado em 1967. Seguiram-se "Grupo escolar" (1974), "Beijo na boca" (1975), "Segunda classe" (1975), "Na corda bamba" (1978) e "Mar de mineiro (1982). Seus livros não só o revelaram uma das mais combativas e criativas vozes daqueles anos de ditadura e desbunde, como ajudaram a dar visibilidade e respeitabilidade ao fenômeno da "poesia marginal".



ALQUIMIA SENSUAL

Tirante meus olhos e mãos
quero me transformar em seu corpo
com toda nudez experiente
do passado e do presente

E naquela noite
entre suspiros
terei aguardado a hora incrível
de tirar o sutiã

cacaso



AH!


Ah se pelo menos o pensamento não sangrasse!
Ah se pelo menos o coração não tivesse
[memória!
Como seria menos linda e mais suave
minha história!

cacaso




HAPPY END


o meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente.

cacaso



Leia mais: http://www.releituras.com/cacaso_amorhumor.asp
http://www.subcultura.net/letras/cacaso.php













Em algum lugar do passado


Ao tocar a décima oitava variação de Rapsódia, de Rachmaninoff, inspirada em O Capricho no. 24, para violino solo, de Paganini, desconfiei que mais uma vez não dormiria cedo.

Tá bom é um contrasenso para quem gosta de Fellini, Almodóvar, Woody Allen dos primeiros filmes e outros tantos, mas hoje eu não vou falar só desse filme apenas, vou além dele, na essência ou apenas do passado, de algum lugar que deixei lá.

Se alguém ainda não sabe, qual o filme tem esse tema é Em algum lugar do passado. Conta a história de Richard Collier (Christopher Reeve), jovem teatrólogo, após a estréia de uma de suas peças, recebe das mãos de uma velha senhora um antigo relógio de bolso e ouve dela uma frase enigmática: "volte para mim" . Em 1980, Richard se hospeda no Grande Hotel e, numa sala dedicada aos eventos históricos do hotel, descobre o retrato de uma linda mulher, Elise McKenna (Jane Saymour), atriz famosa do início do século, cujo rosto, não apenas o impressiona pela beleza, como também lhe parece familiar ... A revelação da imagem de Elise transforma-se numa fixação romântica. Pelas pesquisas e depoimentos, Richard fica sabendo quem foi a atriz e, através da auto-hipnose, regride até o ano de 1912 - sem, contudo, perder a consciência. Reencontra Elise e ambos revivem a aventura amorosa que, por algum motivo, fora subitamente interrompida.

Eu sei, é daqueles filmes considerados água com açucar, melodramáticos, talvez seja mesmo, mas para quem viveu algo semelhante, é inesquecível e eu tinha certeza de que essa vontade de chorar presa na garganta estava só esperando uma desculpa para vir. Não, eu não voltei no tempo, nem me apaixonei por um retrato, na verdade foi a essência, viver um grande amor uma vez na vida, dizer: "eu te amo" para uma pessoa em anos e nunca mais. Não falo de paixão, falo de amor, falo de olhar para alguém é saber, é ele. Foi assim.

Se eu tivesse que comparar, seria mais ou menos como no livro: "O amor no tempo do cólera" de Gabriel Garcia Marquez. O ponto forte do livro é o amor. Mais precisamente o amor de Florentino Ariza e Fermina Daza. Conta o amor platônico de Florentino Ariza por Firmina Daza que durou mais de cinqüenta e um anos. Neste período ele não ficou recluso e ensimesmado. Muito pelo contrário, viveu, trabalhou e construiu sua própria vida. Esteve pronto para o dia em que sua amada estivesse livre para ele novamente. Este fato só acontece quando o marido dela morre. E os dois se vêem livres para se envolverem.
Na última página do livro, eles estão num navio, Florentino responde ao comandante que deseja ir e vir no navio, já o tinha feito antes, e o comandante pergunta por quanto tempo isso duraria?

Florentino Ariza tinha a resposta preparada havia cinquenta e três anos, sete meses e onze dias com as respectivas noites.

— Toda vida — disse


É disso que falo. Eles tinham vivido tempo suficiente para perceber que o amor, era maior sempre em qualquer tempo e em qualquer parte, mas tanto mais denso ficava quanto mais perto da morte.

Passam os séculos, mudam os anos e os tempos modernos nos falam da independência amorosa, das noites onde o desencontro esta marcado em algum bar, festa ou lugar, onde estamos, mas ele nunca esta. Ele? Ele mesmo, esse tipo de amor ou melhor vontade de amar que o tempo não supera ou apaga. Esse que quando estamos sem ele, o objeto amado continuamos sentindo sua presença onde não mais se encontra. Ou que telefonamos, escrevemos só para nos certificarmos de sua presença no mundo. É quando se percebe que mesmo o desejo de esquecê-lo é o mais forte estímulo para dele se lembrar.

Não há solução, como disse Nietz, quando descobriu "a fórmula da grandeza do homem : amor fati". Não evitar nem se conformar e muito menos dissimular, mas afirmar o necessário, amar o que não pode ser mudado.

amar o que não pode ser mudado... é simples assim...




Mesma Fonte


“Eu quero te contar
a minha vida
espalhar na mesa
os vidrilhos,as lãs
com que fiei meus sonhos
e te falarei dos meus infernos e precipícios
de quantas mortes morri
enquanto me olhava no espelho

eu quero te falar
de longas esperas
em plataformas vazias
te falar de um trem
que nunca chegava
de um navio de areia
escorrendo entre os dedos

eu quero te contar
a minha vida
em suas insignificantes nuances
sem esconder os fantasmas
nos bolsos internos da alma

eu quero te contar
a minha vida
no que ela tem de náusea e desejo
amassando as palavras
como se fosse argila

eu quero te falar
dos ventos que embaralhavam a casa
das minhas caixas e cofres
das minhas magoadas estrelas

eu quero te falar
da minha vida
como se escrevesse em tua pele
e me inscrevesse nela
porque em algum recanto sombrio
a minha vida tem folhas
que são da tua
e não me pertence
o meu cotidiano é feito com a mesma
esgarçada renda dos teus
e nesse lugar
a beira do imaginário
nos encontramos
e bebemos na mesma fonte”

R.Murray




























































Sabe quando a vida adquire um jeito de poço profundo e nos olha com olhar de proprietária? como se nada pudéssemos fazer, a não ser esperarmos expectantes, numa tensão de fio, num limite silenciosamente demarcado? como se ali a um passo tudo pudesse mudar e nada fosse suficiente para impulsionar ou nos prender a terra, pura areia movediça sob nossos pés. Era assim que todo o meu silêncio pesava, como o mais puro metal.

andrea augusto©angelblue


 



dos diários

A convivência é tão difícil, o compartilhar é carregado de digitais que não são as nossas. Sartre chegou a dizer que “o inferno é o outro.“ Nietzsche do qual já tive a pretensão de falar, sofria a solidão com intensidade, pela doença, pelo gênio, por um mundo no qual não se encaixava disse certa vez: "se pudesse dar-lhe uma idéia de meu sentimento de solidão! Nem entre os vivos nem entre os mortos, não tenho alguém de quem me sinta próximo". Sempre a impossibilidade que permeia a vida, à margem do caminho, a espreita. A convivência solitária é ainda pior porque dilata o sentimento angustiante de não estar dentro de um contexto, como se a história contada não fosse a nossa ou a minha.
A existência parece um estado de embriaguez contínua, onde não dissocio a solidão da sociedade, por outro lado, há sempre um ponto de interseção, um tempo limite onde tudo passa a ser de uma realidade cruel.

“Solidão não é estar sozinho, é estar vazio” Senêca


andrea augusto©angelblue83







Em 1977, na fria madrugada de 25 de dezembro, morria Charles Chaplin, aos oitenta e oito anos de idade. Morria o gênio de infância triste que, com os seus filmes, fez com que milhares de espectadores do mundo inteiro rissem e chorassem...

Charles Spencer Chaplin nasceu no dia 16 de abril de 1889 às 20 horas, em um subúrbio de Londres. Sua mãe era atriz e ele já pequeno era levado por ela as suas apresentações, numa dessas idas, aos cinco anos, Chaplin fez sua estréia.
A primeira etapa da vida de Chaplin foi muito triste. O pai abandonará a família e ele vivia em orfanatos quando sua mãe não podia cuidar dele. Foi nessas passagens que Chaplin conseguiria involuntariamente adquirir subsídios para criar o doce vagabundo, que faria dele um dos comediantes mais famosos de todos os tempos. Pouco depois, a morte de seu pai e a internação da sua mãe em um sanatório marcariam a vida de Chaplin profundamente, nessa época assinou seu primeiro contrato estável como ator, interpretando um mensageiro em uma versão de Sherlock Holmes, melhorando sua condição financeira.
Foi em Paris, que conheceu os irmãos Lumiére, George Méliés e Max Linder fizeram nascer a magia do cinematógrafo. Ficou encantado com a tal "mágica".
O seu primeiro filme, estreado em fevereiro de 1914, mostrava as aventuras de um personagem cômico na redação de um jornal. Em seu segundo filme, Corrida de automóveis para meninos (1914), criou um personagem que logo seria identificado pelo público. Sennett pediu-lhe que se vestisse de maneira engraçada. “Pensei que poderia usar umas calças muito grandes e uns sapatos enormes, além de uma bengala e um chapéu coco. Queria que tudo fosse contraditório: as calças folgadas, o paletó apertado, o chapéu pequeno e os sapatos enormes. Assim nasceu o famoso “Tramp” (que os povos dos países de idioma espanhol passaram a chamar de “Carlitos”).






As disputas com outros diretores e a ambição dificultaram sua relação com a Keystone, depois de ter filmado 35 longas-metragens em apenas um ano. Insatisfeito com os estúdios da Essanay em Chicago e em São Francisco, instalou-se em Los Angeles. Desde o primeiro dos quinze filmes que realizou para essa produtora, teve a colaboração de Rollie Totheroth, seu fiel câmera durante sua carreira nos Estados Unidos. Contratou Edna Purviance como primeira atriz dos filmes que realizaria nos próximos quinze anos , logo após ter começado a dirigir, percebeu “que o posicionamento da câmera não era apenas uma questão psicológica, ms também constituía a articulação da cena; na verdade, era a base do estilo cinematográfico”. O sucesso de Chaplin foi consolidado pelo contrato com a Mutual em 1916.

Chaplin teve uma vida riquíssima, grandes filmes, sucesso absoluto, criação de sua própria companhia, e alguns escândalos e envolvimentos com várias mulheres, a sua maioria bem mais jovens que ele. Superou a tudo, mas talvez a maior mágoa de sua vida foi a suspeita sobre a sua militância comunista, a falta de patriotismo que tinha impedido a sua nacionalização e a suspeita de adultério. Eram os últimos dias de Chaplin nos Estados Unidos. Passou a viver em Londres com sua última esposa, Oona O’Neil.

Apesar disso, o cineasta ainda viveu o suficiente para receber vários prêmios. Em 1971, a Academia de Hollywood quis restaurar a sua reputação nos Estados Unidos com um Oscar especial “pela incalculável contribuição à arte do século: o cinema”. Um ano mais tarde recebeu outro Oscar com um sabor especial, o de melhor trilha sonora pelo filme Luzes da Ribalta, que por não ter estreado em Los Angeles pôde ser candidato ao Oscar vinte anos depois. Nessa ocasião Chaplin decidiu voltar aos Estados Unidos e pisou um palco pela última vez, sendo aplaudido durante muitos minutos. Três anos mais tarde, a rainha da Inglaterra o nomeou cavaleiro do Império Britânico.

Algum tempo depois o doce vagabundo morreria num dia de Natal.



"Aos que me podem ouvir eu digo: `Não desespereis!' A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura dos homens que temem o avanço humano..."

Charles Chaplin



leia mais: http://www.dhnet.org.br/desejos/sonhos/ultimod.htm
http://www.geocities.com/Hollywood/Makeup/4548/charles.htm